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ÍNDICE GERAL

Apresentação Sempre gostei muito de ler. Quem gosta de ler geralmente também gosta de escrever. Esse é o meu caso. Costumo ler uma média de quatro a cinco livros por mês. Quanto a escrita, desde jovem que escrevo. Passei vários anos escrevendo coisas muito técnicas ligadas ao rádio. Mesmo assim, naquela época, sempre escrevia algum conto ou alguma crônica. Atualmente não escrevo mais nada técnico. Escrevo artigos sobre defesa dos animais, mais por gosto. Quanto a literatura, tenho vários escritos, que vão desde contos até uma autobiografia chamada “Memórias de um Radioescuta”. Como durante as aulas, sou professor, sempre surgiam alunos querendo ler algo do que escrevo, descobri que o Blogger ensina a montar um livro. Assim, achei que este seria um meio mais fácil para quem desejar conhecer meu trabalho neste campo. Leonardo Bezerra UNSO DE CELULAR NO METRÔ COISAS ENGRAÇADAS NO METRÔ A FOME A CHUVA O MENINO O INIMIGO O ENÍGMA JAPONÊS MANIA DE DOENÇA A ÚLTIMA CASA A FILA INCIDE...
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A FOME

Ao entrar na lanchonete, a primeira coisa que vi foi um enorme churrasco sendo virado na chapa, desprendendo uma fumaceira deliciosa. Os balconistas corriam de um lado para o outro do enorme balcão. Creio que ate mesmo seus uniformes brancos cheiravam bem. As luzes brilhantes, o grande aparelho de som, as mesas, a caixa e a grande chapa de onde eu não conseguia tirar os olhos formavam o amplo estabelecimento. Na chapa eram colocados os hamburgues fresquinhos que num instante ficavam grelhados, os ovos eram quebrados e derretidos com tomates e folhas de alfaces. E o churrasco; aquele enorme naco de carne bem temperada que ao primeiro contato com a chapa despreendia um cheirinho irresistível. Havia também uma fileira de salames e queijos pendurados bem a minha frente e, ali mesmo a direita, a enorme sorveteria de onde a cada instante o vendedor tirava grandes colheradas de massa branca que era em seguida coberta por mil maravilhas de cremes, doces e frutas cristalizadas. Isso tudo, se...

COISAS ENGRAÇADAS QUE ACONTECEM NO METRÔ

Um tempo atrás, quando ainda não tinha a moda das pessoas ficarem no metrô com a cara enfiada no celular, elas aproveitavam para ficar se analisando silenciosamente. Aproveitava-se para ver as roupas, os cabelos, a cor dos olhos... tudo muito discreto é claro.  Certo dia, chego no metrô do Jabaquar a, e entro rápido para pegar um lugar. Fui sentar justo naquele banquinho que fica de lado, aquele perto da porta, de frente pra todo mundo. No banco da janela, senta uma senhora desse tamanho... não tenho nada contra... mas fazer o quê, tenho que descrevê-la. Usava uma calça dessas que as mulheres usam pra correr no Parque Ibirapuera, justíssima, que mostrava em alto relevo todas as formas do corpo... até... Na parte de cima, uma camisa amarelona igual as camisetas da Gertrudes, a moça do posto de saúde lá do meu bairro, só que tudo gigantesco é claro, cheia de babados e por cima de tudo isso um colarzão cor de rosa. Imaginem a peça. Fiquei encolhidinho no meu canto no banco lateral ...

O USO DE CELULAR NO METRÔ

Ultimamente o que mais se vê no metrô é celular. Na verdade tem mais celular do gente. Digo isso porque tem aqueles indivíduos que não contente com um, tem dois. Bom, até ai tudo bem. O celular é um ótimo refúgio para os tímidos. No metrô não se tem muito pra onde olhar, ou se olha para o teto ou pra cara das pessoas. Agora com o celular, o tímido enfia a  cara no aparelho e pronto. É muito bom também para passar o tempo. Do Jabaquara à Sé, que é meu trajeto, antes demorava um tempão, agora nem vejo passar o tempo, tanto é que distraído, já passei da Sé umas duas ou três vezes. Mas não é que eu estava fuçando o celular a toa como fazem muitos... não, não, eu estava falando com a cliente sobre móveis, e a menina fala! Aliás, ela não fala... discursa... Começa umas conversas que iniciam aqui em São Paulo, e se der corda... quando vê já tá lá em Minas Gerais... O engraçado é que no celular ela fala pra caramba... Mas pessoalmente, me deixa na mão. As vezes faz um tempão que não a v...

A CHUVA

A chuva começa às nove da noite. Ainda bem que as crianças já estão dormindo. Quando ia começar um filme na TV, acabou a energia elétrica. Patrícia se agarra a mim e subimos aos tropeções pelas escadas escuras. Pulamos na cama. A chuva é forte. Castiga a janela com violência. Ouço o som do vendaval que dobra as árvores lá fora. O clarão dos raios penetra no quarto como se as janelas e as cortinas de nada servissem. Os trovões são assustadores. Até eu que adoro chuva, estou com certo receio. Patrícia, que é medrosa, está tremendo agarrada a mim. - Calma Patrícia, é só uma chuva. - lhe digo. - É melhor eu ir lá embaixo buscar uma vela. - Não, eu não fico só nesse escuro. - responde ela. - Você fechou a porta? - pergunta enquanto se agarra ainda mais forte a mim. - Fechei Patrícia, fechei. - Você amarrou o cachorro na casinha? - Claro Patrícia. - E o gato, ficou dentro? - Ficou Patrícia. - Chí! - Que foi Patrícia. - Esquecemos de por os patos dentro da garagem. - Não tem importância Patrí...

O MENINO

Foi lá pelas dez horas que notaram a presença do menino no escritório. Estava em pé, do lado da maquina de xerox. Fazia um aviãozinho de papel. -De quem é este menino? - Perguntou Jorge lá do fundo da sala. O barulhinho monótono dos computadores interrompeu-se por um momento e todos olharam. Tinha uns quatro ou cinco anos. Franzino, olhos grandes e um cabelinho loiro repartido ao meio. Vestia uma calça listrada e camiseta estampada, tênis branco meio gasto nas pontas. Como ninguém respondeu Kátia arriscou: - Deve ser da faxineira - e reafirmou com seriedade: - E só pode ser da faxineira. - Não sei quem é que permite que tragam moleques aqui, vai ver que logo começa a aprontar - emendou Flávio lá de um canto com cara de nervosinho. - Contando que ele não toque em meus papéis... - acrescentou José, cuja mesa era a mais próxima do menino. - É, um moleque desses deve aprontar mil diabruras se não tiver alguém por perto - afirmou Jorge. - Concordo; não deviam deixar entrar esses per...

O INIMIGO

Ha mais de ano ele me persegue. Na primeira vez que nos encontramos ele me pediu para que fizéssemos juntos uma reflexão sobre tudo o que estava acontecendo em minha vida. Era meia noite. Bar deserto, só eu lá no fundo em meio as garrafas. Foi quando ele chegou. Aproveitou-se de minha embriaguês para dizer-me a verdade. Sou um inútil. Tudo vai mal comigo. Desencontro e tragédia, são pálavras constantes em minha mente. Sinto o gosto amargo da solidão em cada esquina. Olho as ruas desertas. Tudo esta deserto, minha vida esta deserta. Quanto tempo faz que não sinto o calor de uma mão, o tremular de olhos que procuram os meus ou a suavidade de uns lábios de mulher envoltos em mistério, em encantos, em passe de magica, quando fechamos os olhos e só sentimos aquele tremular, gostinho meio salgado do mar, pedaço de manjar do céu. Há quanto tempo não rio até sair lágrimas, até rolar pelo chão em cumplicidade com alguém, já não tenho com quem falar de coisas banais, do vento, da chuva, história...